Os
números confirmam a fragilização
do ensino médico ao mostrar que mais de 20
instituições alcançaram notas
baixas (de 1 a 2) e nenhuma das 141 avaliadas conseguiu
ser classificada na faixa máxima (nota 5).
O CFM entende que este problema afeta, sobretudo,
a população que fica a mercê da
assistência oferecida por indivíduos
com formação deficiente.
“Esperamos rigor e seriedade
na formação do médico brasileiro,
eliminando as distorções no ensino que
prejudicam toda a sociedade. Somente, assim o país
poderá contar com uma assistência de
qualidade tanto na rede pública, quanto privada”,
conclui o documento, que será encaminhado ao
Ministério da Educação
Nota do Conselho Federal de Medicina
Com base nos resultados do Conceito Preliminar de
Cursos (CPC), divulgado pelo Ministério da
Educação, na quinta-feira (17), o Conselho
Federal de Medicina (CFM), que se preocupa com a formação
dos médicos brasileiros como forma de assegurar
atendimento digno, chama – mais uma vez –
a atenção da sociedade e das autoridades
para o problema da má qualidade do ensino médico
oferecido atualmente.
É preocupante o número de escolas médicas
que alcançaram notas ruins, entre 1 e 2 (de
141 instituições avaliadas, um total
de 23). Também é lamentável que
nenhuma delas tenha obtido nota suficiente para ser
classificada na faixa máxima (nota 5).
Este resultado é consequência
da abertura indiscriminada de novos cursos de Medicina
em território nacional, há tempos denunciada
pelo CFM e pelos conselhos regionais de medicina (CRMs).
Ao fazer este alerta, ressaltamos que a situação
atual do ensino médico não condiz com
as preocupações humanitárias
e sociais pertinentes à Saúde e à
Medicina.
O quadro descortinado pelo CPC denota a prevalência
de interesses econômicos e políticos
sobre a preocupação legítima
com a qualidade da formação de futuros
médicos. De 2000 a 2010, o número de
escolas médicas pulou de 100 para 181. Das
que entraram em funcionamento, 72,5% (58 escolas)
são privadas e visam o lucro.
No entanto, a multiplicação
dessas instituições não solucionou
a povoação de médicos nos locais
desassistidos e sequer melhorou a qualidade daqueles
ali formados. Não há dúvida que
número importante das escolas médicas
em atividade está sem condições
plenas de funcionamento, seja em termos de instalações,
seja em termos de conteúdo pedagógico,
incluindo aí questões ligadas aos corpos
docentes. Infelizmente, essa situação,
tem prejudicado, sobretudo, a população
que fica à mercê de profissionais com
formação deficiente.
Neste contexto, o CFM – novamente – alerta
os brasileiros para esta realidade e considera oportuna
a decisão do MEC de supervisionar o ensino
oferecido por algumas escolas médicas, o que
implicará, de imediato, no corte de 512 vagas
em cursos com notas ruins.
Por outro lado, ficamos preocupados
com o anúncio do próprio MEC de abertura
de outras 320 vagas em algumas escolas, o que, no
mínimo, indica que alunos e professores destas
instituições terão que dividir
os parcos recursos que têm, fragilizando ainda
mais as condições de ensino.
Esperamos rigor e seriedade na formação
do médico brasileiro, eliminando as distorções
no ensino que prejudicam toda a sociedade. Somente,
assim o país poderá contar com uma assistência
de qualidade tanto na rede pública, quanto
privada.
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